Distrito reúne patrimônio histórico, forte vocação agrícola, gastronomia típica e uma comunidade que mantém vivas as raízes dos primeiros colonizadores.
Durante o mês em que Colatina celebra seus 105 anos, a Prefeitura apresenta a série especial Viva Colatina | Conhecendo nossos Distritos, um convite para descobrir a história, as tradições, as paisagens e as pessoas que ajudam a construir a identidade do município. O segundo destino é Boapaba, reconhecido como um dos berços da colonização de Colatina.
Andar pelas ruas do distrito de Boapaba, situado a poucos quilômetros da sede do município, é revisitar histórias de mais de um século. Foi ali que, em 1876, chegaram os primeiros imigrantes italianos, alemães, suíços e poloneses para ocupar lotes doados pelo governo estadual, que mais tarde se transformaram em propriedades agrícolas na margem direita do Rio Santa Maria do Rio Doce.
O nome do povoado tem origem nos indígenas que habitavam aquelas terras. Mboia-paba significa “lugar cheio de cobras”. Hoje, os cerca de 1.600 moradores estão distribuídos entre a sede e as comunidades de Santo Antônio do Mutum, São Miguel Arcanjo, Barra de Santa Júlia, São Pedrinho, São José do Santa Maria, Córrego Laje, Córrego Conceição, São João da Barra Seca, São Luís da Barra Seca, Córrego Senador, Fazenda Rossi e Sítio Ferrari. A base da economia local é a cafeicultura. Entre as mulheres, o artesanato em crochê é um dos destaques.
Boapaba ainda preserva traços históricos dos primeiros anos da colonização de Colatina, como a Igreja Nossa Senhora Imaculada Conceição e alguns casarões do período do desbravamento. O distrito é banhado pelos rios Mutum e Santa Júlia e pelos córregos São Miguel, Conceição e Laje. A região também abriga cachoeiras, vales verdes com remanescentes da Mata Atlântica e diversas espécies da fauna silvestre. As festas tradicionais são a Festa da Colheita, realizada em maio; a Festa Caipira, em junho; e a Festa da Padroeira Nossa Senhora Imaculada Conceição, em dezembro. O Festival Riquezas da Terra, promovido em junho, também atrai visitantes. A gastronomia, marcada pela identidade rural, é outro destaque local.
O lugar é de pessoas acolhedoras e profundamente ligadas às suas raízes. A comerciante Maria Regina Galon de Oliveira, de 67 anos, conta que a família mora no povoado desde que o bisavô paterno veio da Itália para ocupar as terras da região, casar-se e formar família. Os pais dela, João e Helena, tiveram sete filhos, e a lavoura de café foi o meio de subsistência da família. Hoje, Maria Regina mantém uma padaria na sede do distrito e divide o tempo com o marido entre o comércio, as atividades da comunidade e a igreja.
“Não fala mal de Boapaba comigo porque dá briga. Tudo o que faço aqui é por amor, e dá certo. É isso que anima a gente. Eu amo a nossa comunidade. O principal ponto turístico daqui é a nossa igreja católica, linda, maravilhosa, que tem 117 anos.”
O estudante de Engenharia Civil Állex Mozart Serpa dos Santos também nasceu em Boapaba e faz questão de destacar o sentimento de pertencimento que existe entre os moradores.
“Todos se conhecem e o respeito é comum entre os moradores. Moro com minha família e a convivência é tranquila. A maioria dos meus parentes também mora aqui. Estudei todo o ensino fundamental em Boapaba, com exceção do 9º ano. Quase não tenho tempo para o lazer por causa da correria entre o trabalho e a faculdade, mas gosto de jogar bola na quadra, participar dos eventos organizados pelos jovens da Igreja Adventista do Sétimo Dia e ir à sorveteria e à lanchonete. No geral, passo meu tempo livre em casa. Boapaba é um lugar simples e muito bom para viver.”
A história de Dona Ermandina Chagas de Oliveira, de 85 anos, também se confunde com a do distrito. Moradora da casa mais antiga de Boapaba, que ainda preserva características da construção original, ela foi criada pela família de Mário Rossi e Dalva Bernardina, em Mutum de Boapaba, onde mais tarde se casou com Valdir de Oliveira. Ao longo da vida, criou os quatro filhos e ajudou a construir, ao lado da família, um dos comércios mais tradicionais da comunidade.
“Boapaba é tudo para mim. Aqui eu criei meus quatro filhos. O único filho homem, Val, é meu parceiro até hoje na luta, ajudando em tudo e trabalhando no bar da família, que existe desde 1968. Tudo o que construí, com muito orgulho, foi fornecer alimentação para os funcionários das empresas da região e vender doces e salgados.”
Mais do que um distrito marcado pela beleza natural e pela riqueza histórica, Boapaba preserva um modo de vida baseado na união, no trabalho e no orgulho de suas origens. Histórias como as de Maria Regina, Állex e Dona Ermandina mostram que a identidade do lugar continua viva nas pessoas que escolheram permanecer, cuidar da comunidade e manter vivas as tradições que ajudaram a construir Colatina.
(Da Redação)
(INF.\FONTE: Prefeitura de Colatina \\ Prefeitura de Colatina)
(FT.\CRÉD.: Prefeitura de Colatina \\ Divulgação)